Peixes de água doce da ecorregião Mata Atlântica Nordeste, leste do Brasil: biogeografia, endemismo e conservação
Nome: FELIPE VIEIRA GUIMARÃES
Data de publicação: 25/02/2025
Banca:
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Papel |
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ALEXANDRE CLISTENES DE ALCÂNTARA SANTOS | Examinador Externo |
ANA CAROLINA LOSS RODRIGUES | Examinador Interno |
CARLA NATACHA MARCOLINO POLAZ | Examinador Externo |
FERNANDO CESAR PAIVA DAGOSTA | Examinador Externo |
LUISA MARIA SARMENTO SOARES FILHO | Presidente |
Resumo: A Mata Atlântica Nordeste, ecorregião hidrográÞca de água doce do Leste brasileiro, abriga uma expressiva quantidade de espécies de peixes de água doce, a maioria endêmicas dessa região. No entanto, os intensos impactos antropogênicos aos quais os ambientes aquáticos estão submetidos diminuem a disponibilidade dos recursos e hábitats dos quais necessitam as espécies de peixes, tornando-as suscetíveis a eventos de extinção. Nesse sentido, metodologias que visem elucidar os padrões de distribuição e endemismo das espécies são fundamentais no desenvolvimento de ações voltadas à conservação dos hábitats e das espécies. Este estudo tem como objetivo identiÞcar padrões de diversidade taxonômica, de distribuição geográfica e de endemismo da ictiofauna de água doce na ecorregião Mata Atlântica Nordeste, e a partir dessas informações, apontar áreas prioritárias para a conservação das espécies. Uma base de dados foi compilada a partir de informações obtidas em coleções ictiológicas, literatura e repositórios online. Após procedimentos de Þltragem e limpeza dos registros, (a) uma listagem atualizada de espécies foi elaborada; (b) uma análise de regionalização biogeográÞca foi aplicada; e (c) áreas prioritárias para a conservação da ictiofauna foram apontadas. Foram identiÞcadas 305 espécies nativas de peixes de água doce, distribuídas em sete ordens, 27 famílias e 103 gêneros, das quais 210 são endêmicas da ecorregião. A análise de biorregionalização identiÞcou quatro unidades biogeográÞcas na ecorregião: biorregião Norte, biorregião Central, biorregião dos Tabuleiros Costeiros e biorregião Sul. Diversas espécies apresentam limites de distribuição entre os rios Doce e Jequitinhonha, bem como outras apresentam o Rio Jequitinhonha como limite norte de distribuição, sugerindo que essa bacia é um divisor relevante para a ictiofauna no leste do Brasil. Os mesmos dados de ocorrência das espécies foram utilizados para apontar áreas prioritárias e críticas para a conservação da ictiofauna na ecorregião. Foram testados três cenários de priorização de áreas, considerando 35 espécies ameaçadas, 118 espécies quase ameaçadas e de distribuição restrita e todas as 153 espécies. As três conjunturas apontaram, de um total de 728 unidades de planejamento, 47, 60 e 105 sub-bacias relevantes e majoritariamente insubstituíveis para a proteção da ictiofauna, respectivamente. No terceiro cenário, 36 sub-bacias insubstituíveis foram classiÞcadas como críticas devido a estressores ambientais, particularmente na bacia do Rio Doce. O impacto mais relevante para a ictiofauna nesse aspecto é a perda de cobertura vegetal, que reflete negativamente na integridade dos hábitats e nos regimes hídricos. Os resultados sugerem também que a rede atual de áreas protegidas é insuÞciente para proteger a maioria das espécies alvo. Este estudo serve como um ponto inicial para o estabelecimento de novas diretrizes conservacionistas que efetivamente levem em consideração fatores relevantes para os organismos aquáticos.