Estoques totais de carbono ecossistêmico e sua potencial vulnerabilidade à elevação do nível do mar em manguezais da Baía de Vitória
Nome: LETHÍCIA LELLIS VIEIRA PINTO
Data de publicação: 27/11/2025
Banca:
| Nome |
Papel |
|---|---|
| HERMANO MELO QUEIROZ | Examinador Externo |
| PABLO DE AZEVEDO ROCHA | Examinador Interno |
| ROGERIO OLIVEIRA FALEIROS | Presidente |
Resumo: Manguezais são importantes sumidouros de carbono, capazes de sequestrar e
armazenar matéria orgânica acumulando-a na vegetação e no solo. Na Baía de Vitória, esses
ecossistemas enfrentam pressões crescentes devido à elevação do nível médio do mar e à
expansão urbana, que reduz a capacidade de avanço dos manguezais em direção ao
continente. Partiu-se da hipótese de que manguezais situados em áreas mais baixas, por
estarem mais expostos a potenciais processos erosivos e à inundação frequente,
apresentariam menores estoques de carbono, uma vez que esses processos poderiam ter
removido parte do carbono previamente acumulado e comprometido sua capacidade de
retenção. Este estudo teve como objetivo quantificar os estoques de carbono ecossistêmico
totais em manguezais e comparar estes estoques com índices de vulnerabilidade costeira da
região metropolitana de Vitória, no sudeste do Brasil. Foram quantificados os estoques de
carbono totais de seis áreas, incluindo a parte vegetal aérea e dos solos até 3 m de
profundidade. Uma classificação guiada da Baía de Vitória foi feita quanto à vulnerabilidade
com base em mapas de interpolação espacial e no Índice de Sensibilidade Costeira (ISC)
gerados por Machado e Albino (2024) que considera parâmetros como vulnerabilidade geral,
elevação, geologia/geomorfologia, feições sedimentares e proximidade da costa e de rios.
Para comparar com o ISC, dados obtidos in situ de frequência e duração da inundação dos
bosques por marés, profundidade da coluna d'água e altimetria da franja dos bosques (GPS
RTK) foram obtidos nas seis áreas amostradas. Nossos resultados mostraram que os estoques
totais de carbono nos seis bosques de manguezais variaram entre 717 e 1481 Mg C ha1, com
média de 1028 Mg C ha1, sendo mais de 90% do carbono armazenado nos solos. O ISC
indicou áreas amostrais com vulnerabilidade geral alta, com o sítio A classificado como de
vulnerabilidade muito alta, especialmente devido à geologia/geomorfologia e características
sedimentares. Os dados in situ classificaram o sítio A como de alta vulnerabilidade, tendo
apresentado a menor altimetria média (-1,28 m), indicando maior exposição ao alagamento.
Contrariando a hipótese inicial de que manguezais em áreas mais baixas teriam a menor
capacidade de estocar carbono devido a potencial erosão, as áreas mais baixas da Baía de
Vitória apresentaram os maiores estoques de carbono. Isso sugere que, mesmo sob maior
vulnerabilidade física a essas pressões, esses manguezais continuam exercendo papel
significativo na retenção de carbono, possivelmente devido à acreção do solo por material
vegetal subaéreo em raízes. Este trabalho indica que, nos manguezais estuarinos protegidos
da Baía de Vitória, os estoques de carbono não estão primariamente associados à vulnerabilidade à erosão costeira relacionada à ação de ondas, ressaltando a importância de
integrar características hidrodinâmicas locais e a topografia do terreno em estratégias de
conservação e gestão adaptativa frente às mudanças climáticas.
